Economia
Trump anuncia nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros nos EUA
Os Estados Unidos confirmaram na noite de quarta-feira (15) a decisão de aplicar uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Contudo, essa medida inclui uma extensa lista de exceções que contempla itens importantes da pauta de exportação do Brasil, como carne e suco de laranja.
Essa decisão traz diversas repercussões econômicas e políticas para o Brasil. A seguir, explicamos os principais pontos da medida e sua importância.
O que acontece com os produtos exportados pelo Brasil?
O governo dos EUA decidiu que os produtos brasileiros que chegam aos consumidores americanos terão um imposto de importação de 25% sobre seu valor, tornando-os mais caros e dificultando sua competitividade frente a produtos nacionais e de outros países.
No entanto, a decisão prevê exceções para cerca de 60% dos produtos exportados pelo Brasil, cobrindo itens como carne e suco de laranja; entretanto, produtos manufaturados como máquinas e calçados serão taxados.
Quando a tarifa entra em vigor?
A medida começará a valer no dia 22 deste mês, uma quarta-feira.
Qual a justificativa do governo americano?
A decisão foi tomada após uma investigação anual conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), amparada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que trata de supostas práticas comerciais desleais.
Qual o impacto real para as empresas brasileiras?
Antes da nova medida, a tarifa média sobre produtos brasileiros era de 11,7%. Com a aplicação da Seção 301, essa tarifa média sobe para 18,22%, considerando também uma sobretaxa de 10% ainda vigente até o dia 25.
Como o governo brasileiro reagiu?
Após o anúncio, o governo do presidente Lula repudiou a medida, chamando-a de injusta. Inicialmente anunciou que acionaria mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade, mas depois recuou, afirmando que utilizará esses instrumentos em momento apropriado, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, responsável pela negociação com os EUA.
O governo também criticou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, que teria incentivado medidas americanas de retaliação no ano anterior.
O que é a Seção 301?
Esse dispositivo da lei americana permite ao USTR investigar práticas no comércio internacional que prejudiquem empresas americanas, aplicando sanções se forem constatadas irregularidades, como tarifas extras e restrições comerciais.
O Brasil já foi alvo da Seção 301?
Sim, em 1985 e 1987 o país foi investigado por restrições de acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro e questões relacionadas a patentes biofarmacêuticas. Diversos outros países também já passaram por investigações semelhantes.
Em março deste ano, os EUA abriram outro processo contra o Brasil e 59 países por suposto uso de trabalho forçado em produtos exportados ou importados.
Quais são as principais acusações dos EUA contra o Brasil?
- Comércio digital, com questionamentos sobre o sistema de pagamentos Pix, onde o Banco Central atua como regulador e proprietário da plataforma, limitando concorrentes americanos.
- Mercado de etanol, por interromper um tratamento tarifário equilibrado e não oferecer reciprocidade às exportações americanas.
Quais produtos estão na lista de exceções?
Mais de 2.100 produtos estão isentos da sobretaxa, incluindo carne, suco de laranja, componentes para aeronaves, açaí e água de coco. Produtos já em trânsito para os EUA também ficarão livres da tarifa adicional.
Qual o impacto para a economia brasileira?
Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a medida prejudicará mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio, sendo um impacto negativo na relação bilateral.
A sobretaxa afetará milhares de produtos, embora preserve itens essenciais como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais.
A Amcham destaca que além de prejudicar exportadores brasileiros, a tarifa poderá aumentar custos para empresas e consumidores americanos, afetar a competitividade da indústria dos EUA e elevar a dependência de fornecedores asiáticos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que a nova tarifa impacta a competitividade do Brasil e ameaça exportações, apontando que 20 dos 27 estados brasileiros já reduziram suas vendas para os EUA no primeiro semestre do ano.

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