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El Faro continuará expondo abusos do governo Bukele

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O jornal digital salvadorenho El Faro, crítico à administração do presidente Nayib Bukele, afirmou que manterá suas denúncias sobre a corrupção governamental, apesar das pressões exercidas pelas autoridades, declarou à AFP o editor-chefe do veículo, Óscar Martínez.

Com colaboradores que trabalham no exílio, o El Faro recentemente revelou que o governo de Bukele, que exerce poderes amplos sob um regime de exceção, congelou os bens de seus parceiros alegando uma suposta dívida fiscal.

O jornal nega ter cometido fraudes fiscais e considera essa medida uma retaliação pela divulgação de um documentário que apontava supostos acordos entre o presidente e grupos criminosos para alcançar o poder em 2019.

Martínez, que está no Panamá participando do festival literário Centroamérica Cuenta, informou: “Vamos trazer novas provas e divulgar revelações sobre os atos aberrantes do regime Bukele“.

Em junho, espera-se a divulgação de informações significativas sobre corrupção, saque estatal, brutalidade e violações dos direitos humanos em níveis surpreendentes, acrescentou o escritor, que lançou recentemente seu livro “Bukele, el rey desnudo” no festival.

Bukele mantém grande popularidade devido à sua campanha contra gangues violentas, que resultou na prisão de aproximadamente 92 mil pessoas sem ordem judicial e na redução significativa dos homicídios.

O presidente nega qualquer pacto com o crime organizado.

A cobrança de impostos congelando ativos impactou severamente alguns dos parceiros do jornal. Enquanto continuarmos investigando a ditadura em El Salvador, a repressão continuará e tentará nos atacar de todas as formas possíveis, declarou Martínez.

O documentário lançado recentemente pelo El Faro detalha supostos acordos ilícitos feitos por Bukele, que foram rompidos em 2022, dando início à ofensiva contra as gangues.

Essa operação do governo gerou acusações internacionais de crimes contra a humanidade.

Martínez mencionou que o exílio da redação aumentou os custos, já que é necessário lidar com o deslocamento da equipe. Antes, uma conversa com uma fonte poderia acontecer em uma casa ou café; hoje, é preciso viajar para um país neutro para realizar essas reuniões.

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