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João Fonseca faz tênis crescer entre jovens no Brasil

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Com a raquete em mãos, Henry pisa na quadra. Ele dedica-se diariamente aos treinos, tendo o brasileiro João Fonseca, que está prestes a disputar Roland Garros, como sua fonte de inspiração.

Segundo o treinador Juninho Nascimento, “cada vez mais jovens”, como Henry Takahashi, de 13 anos, almejam tornar-se tenistas profissionais em um país tradicionalmente de futebol.

O técnico relata um verdadeiro “boom” em torno de Fonseca, evidenciado pelo aumento expressivo no número de inscrições em competições infantis e juvenis.

Atualmente, não há mais vagas. Existe até uma lista de espera”, acrescenta, na Academia da Federação Paulista de Tênis em São Bernardo do Campo, região próxima a São Paulo.

João Fonseca, 19 anos e 30º colocado no ranking mundial, vai participar pela segunda vez da chave principal de Roland Garros, o maior torneio anual em quadras de saibro, que começa no domingo em Paris. Sua estreia será contra o francês Luka Pavlovic, atual 240º do ranking.

Com seu estilo agressivo, direita forte e muito carisma, o tenista carioca desponta como a maior esperança do tênis brasileiro, além de ter reposicionado o Brasil na elite do tênis masculino.

Em 2025, ao ganhar seus primeiros títulos no circuito ATP em Buenos Aires e Basileia, Suíça, ele passou a ser o quinto brasileiro a figurar entre os 25 melhores do mundo, chegando à 24ª colocação.

João Fonseca junta-se a um grupo seleto que inclui Gustavo Kuerten, o único brasileiro número 1 do mundo, além de Thomaz Bellucci, Fernando Meligeni e Thomaz Koch. Guga se aposentou em 2008, Meligeni em 2003 e Koch em 1985.

“Admiro sua postura em quadra, seus golpes… Tudo”, comenta timidamente Henry, que concilia treinos intensos com seus estudos online para o ensino médio.

O avanço é impressionante

Entre 2024 e 2025, houve um crescimento de 34% nas inscrições do Campeonato Nacional Infantil e Juvenil (12 a 18 anos) e na Copa das Federações, torneio de elite para jovens talentos onde João Fonseca competiu.

Na região metropolitana de São Paulo, onde Henry treina, as inscrições em torneios infantis e juvenis quadruplicaram entre 2022 e 2025, ultrapassando 7.000 participantes.

“É impressionante. Brinco dizendo que cada vitória do João Fonseca aumenta a quantidade de filiados à tarde”, diz o presidente da federação, Danilo Gaino.

Fonseca atrai um público jovem, uma tendência vista em outras áreas como música e cinema quando brasileiros são reconhecidos internacionalmente, observa Thiago Freitas, diretor de operações da Roc Nation no Brasil.

Juninho Nascimento destaca que muitos jovens imitam o visual de João Fonseca, desde o bigode ao tipo de barba, além do modelo de raquete usado pelo atleta.

Inspiração e motivação para a nova geração

Entre os novos talentos está Luis ‘Guto’ Miguel, de 17 anos, segundo no ranking juvenil da Federação Internacional de Tênis, que vê em João Fonseca um exemplo a ser seguido.

“É um caminho desafiador, mas o empenho e atitude dele em quadra ajudam a tornar o percurso dos jovens mais claro”, afirma Guto Miguel após disputar o Latin American Open em São Paulo. Em fevereiro, ele já tinha recebido convite para a chave principal do Rio Open.

Na academia de São Bernardo do Campo, jovens como Bruno Rodrigues, Igor Gimenez e Rafael Finetto também veem em João Fonseca uma fonte de estímulo.

“Ver um atleta tão jovem conquistar títulos motiva a todos. Se ele conseguiu, podemos também nos espelhar e, quem sabe, chegar lá um dia”, diz Rodrigues.

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