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Confronto entre policiais e manifestantes em bloqueio na Bolívia

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Policiais da tropa de choque enfrentaram manifestantes neste sábado (6), em um povoado de Santa Cruz, no leste da Bolívia, durante uma operação para liberar uma estrada bloqueada por camponeses que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz.

Há mais de um mês, Paz enfrenta protestos por causa de bloqueios nas vias feitos por camponeses e outros trabalhadores, que responsabilizam o presidente de centro-direita pela crise econômica grave que o país atravessa, a pior em 40 anos.

Dezenas de policiais, apoiados por veículos militares, chegaram cedo a uma estrada em San Julián e usaram bombas de gás lacrimogêneo para liberar a passagem na região central de Santa Cruz, uma área agropecuária rica que fornece alimentos para o oeste do país.

Os manifestantes reagiram jogando paus, pedras e queimando pneus e troncos para impedir o avanço policial.

O chefe da polícia de Santa Cruz, coronel David Gómez, informou em coletiva de imprensa próxima a San Julián que dois policiais ficaram feridos por ataques com armas de fogo, o que levou ao recuo das forças policiais. Os feridos foram hospitalizados.

Mais cedo, o ministro do Desenvolvimento Produtivo, Mário Justiniano, destacou que a estrada é estratégica para o transporte de alimentos e reconheceu a forte resistência dos manifestantes contra a polícia na linha de frente da operação.

A estrada foi parcialmente liberada, porém os manifestantes foram impedidos novamente. A ação em San Julián aconteceu um dia após policiais e militares desobstruírem uma estrada importante que liga La Paz às regiões agrícolas do sul.

O presidente, com apenas seis meses no cargo, espera que o Parlamento aprove uma lei de estado de exceção que permita o uso de tropas militares com poderes ampliados para acabar com os bloqueios.

Cerca de cem bloqueios de vias causaram grande preocupação com o abastecimento de alimentos, remédios e combustíveis em La Paz, El Alto e outras cidades.

O governo boliviano, que recebeu apoio dos Estados Unidos e países aliados na região, atribui as manifestações ao ex-presidente de esquerda Evo Morales (2006-2019).

Morales, refugiado em seu reduto de Chapare (centro) para evitar uma ordem de prisão por suposto tráfico envolvendo uma menor, declarou à AFP que os protestos são uma rebelião contra um governo que está subordinado aos interesses dos Estados Unidos.

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