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Uruguai tem primeira morte com eutanásia
Uma paciente com câncer avançado tornou-se nesta sexta-feira (22) o primeiro caso de morte assistida no Uruguai, país que aprovou no ano passado uma lei inovadora na América Latina, confirmou à AFP uma fonte do Colégio Médico.
Em outubro de 2025, o Uruguai foi o primeiro país da região a legalizar a morte assistida sob condições específicas. A Colômbia e o Equador descriminalizaram essa prática por decisão judicial.
A primeira eutanásia no Uruguai “aconteceu hoje” (sexta-feira), confirmou à AFP uma fonte do Colégio Médico do país.
O meio local Telenoche 4 indicou, citando profissionais da saúde, que o procedimento foi realizado a pedido de uma mulher de 69 anos com câncer terminal.
Esse evento ocorre um mês após terem sido ativadas as regras e o protocolo sanitário previstos na lei, aprovada pelo Congresso no ano anterior.
Para Federico Preve, parlamentar da ala esquerda governista que promoveu a legislação, este é “um marco importante e simbólico para o Uruguai”.
“Essa pessoa teve a escolha de partir em paz, conforme suas convicções”, declarou o deputado à imprensa.
O Uruguai integra um grupo restrito de países que autorizam a morte assistida, juntando-se à Espanha e aos Países Baixos.
A legislação uruguaia determina que o paciente deve ser maior de idade, residente ou cidadão, mentalmente capaz, em estado terminal de uma doença incurável que cause sofrimento irreversível e degradação grave da qualidade de vida.
Conforme o protocolo, o paciente solicita o procedimento a um médico, que tem até três dias para responder. Um segundo médico, clínico ou especialista, deve dar um parecer.
Se ambos concordarem que os critérios são atendidos, o processo segue. Caso contrário, uma junta médica avalia e decide.
A eutanásia é realizada com medicamentos estabelecidos no protocolo, e o paciente pode desistir a qualquer momento, sem necessidade de justificativas.
Reconhecido como um país laico e pioneiro na região em políticas progressistas, o Uruguai adiciona essa lei liberal a outras conquistas como a regulamentação da maconha, o casamento igualitário e o aborto legalizado.

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