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Versões conflitantes sobre cuidados domiciliares no julgamento da morte de Maradona

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A divergência entre os conceitos de internação domiciliar e cuidados em casa foi o foco de uma audiência recente no processo que envolve sete profissionais de saúde na Argentina, acusados pela morte do ex-jogador Diego Maradona. Ele faleceu em 2020 enquanto se recuperava em uma residência alugada após uma cirurgia cerebral.

Agustina Cosachov, psiquiatra e uma das principais suspeitas, afirmou: “Meu critério sempre foi o mesmo: uma internação domiciliar séria”. Ela destacou que jamais considerou seguro que Maradona retornasse para casa logo após a cirurgia para tratar um hematoma subdural, realizada em 3 de novembro de 2020.

Para a médica, a melhor opção seria a continuação da reabilitação em uma clínica especializada, devido ao histórico de depressão e alcoolismo do paciente, então com 60 anos. Entretanto, Maradona recusou essa hipótese, motivando a escolha por alugar uma casa em Tigre, região ao norte de Buenos Aires, para sua recuperação.

Cosachov explicou: “Como psiquiatra, não via retorno para casa como alternativa. Criamos uma solução intermediária, que foi a internação domiciliar, acompanhada por clínico geral, neurologista, exames, ambulância para emergências, enfermeiros e um especialista em dependência química”.

A médica ressaltou sua confiança na empresa Swiss Medical, que participou da logística: “Assinei o documento acreditando que tudo seria cumprido da melhor forma para esse paciente”.

Por sua vez, Mariana Flichman, ex-médica legista da Swiss Medical envolvida na elaboração do relatório de alta, afirmou que o serviço oferecido se limitou ao acompanhamento e cuidado de enfermagem, sem estrutura hospitalar. “Não tivemos acesso ao quadro clínico detalhado e apenas recebíamos os resumos da equipe médica”, explicou.

A audiência acontece no tribunal de San Isidro, próximo a Tigre, e avalia tanto a adequação quanto as condições da internação domiciliar que acabou com a morte de Maradona em 25 de novembro de 2020, causada por parada cardiorrespiratória e edema pulmonar.

A Swiss Medical não está sendo processada como empresa, mas entre os réus está Nancy Forlini, que trabalhava para a organização e atuava como coordenadora médica no pós-operatório do ex-jogador.

Os sete acusados respondem por homicídio com dolo eventual, que implica ter consciência do risco de morte, e podem receber penas de até 25 anos de prisão.

Espera-se que o julgamento, com sessões duas vezes por semana, prossiga até pelo menos julho.

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