Conecte Conosco

Economia

EUA planejam nova tarifa contra o Brasil e governo reage com reciprocidade

Publicado

em

Um dia após propor um aumento de 25% nas tarifas sobre produtos brasileiros importados por supostas práticas comerciais ilegais, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma nova rodada de sobretaxas envolvendo o Brasil. Dessa vez, o motivo alegado é a falta de aplicação eficaz de proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Além do Brasil, outros 58 países e a União Europeia também estão investigados.

O governo brasileiro qualificou como “absurda” e “lamentável” a decisão dos EUA e ameaçou defender-se utilizando a Lei de Reciprocidade, prevista para 2025, que permite aplicar sobretaxas, restrições e suspender acordos comerciais.

Este movimento é interpretado no mercado como uma tentativa do presidente Donald Trump de reinstaurar tarifas impostas durante seu primeiro mandato, derrubadas mais tarde pela Suprema Corte dos EUA.

A investigação do USTR sugere tarifas entre 10% e 12,5%, variando conforme o nível de controle considerado adequado. O Brasil está na faixa mais alta. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) alerta que alguns produtos brasileiros podem sofrer tarifas adicionais que somam até 37,5%, colocando o país entre os que enfrentam maiores encargos para exportar aos EUA.

Segundo o USTR, a iniciativa visa pressionar parceiros comerciais a fortalecerem a fiscalização contra importações produzidas por trabalho forçado, argumentando que a ausência de tais controles gera desigualdade na concorrência para trabalhadores e empresas americanas.

As economias foram divididas em dois grupos: a tarifa de 10% será aplicada a países que já adotam proibições ou compromissos formais contra trabalho forçado, como Argentina, Canadá, México, Reino Unido, Taiwan e a UE. A tarifa de 12,5% atingirá os demais, incluindo Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia, Suíça, Nova Zelândia, Austrália, Chile e Israel.

Jamieson Greer, chefe do USTR, afirmou que a entrada de mercadorias produzidas com trabalho coercitivo cria uma desvantagem para o comércio americano. “A falha dos nossos parceiros comerciais mais importantes em combater a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável”, declarou ele, ressaltando que essa situação força trabalhadores americanos a competirem em condições injustas.

Uma audiência pública está marcada para 7 de julho em Washington para discutir a proposta das tarifas adicionais, seguindo o processo da Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Questão da carne bovina

Em relação ao Brasil, o relatório do governo americano aponta que o país não proibiu adequadamente a importação de bens fabricados com trabalho forçado, considerando essa falha injustificável e prejudicial ao comércio dos EUA.

Além disso, o governo americano destaca a disputa entre produtores dos dois países pelo mercado chinês, acusando concorrência desleal, alegando uso de trabalho análogo à escravidão nas cadeias produtivas brasileiras.

O USTR identificou que o Brasil é um dos principais exportadores de um produto associado a essas práticas — carne bovina congelada, que possui maior circulação internacional comparada à carne fresca.

De acordo com o USTR, evidências presentes na legislação americana sobre tráfico de pessoas sugerem a existência de trabalho forçado na criação de gado bovino no Brasil, configurando uma desvantagem para os concorrentes americanos.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados