Economia
Queda de 14% nas vendas brasileiras para EUA em maio
As vendas de produtos brasileiros para os Estados Unidos registraram uma queda de 14% em maio, comparado ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Essa redução segue uma tendência de retração iniciada em agosto do ano passado, quando entraram em vigor as tarifas aplicadas pelo governo norte-americano.
Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, destacou que ainda é cedo para afirmar que essa redução representa uma mudança estrutural nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Ele explicou que o comércio exterior possui dinâmicas que levam tempo para se ajustar e que a composição dos produtos exportados, que inclui commodities e alimentos, influencia essa adaptação.
Segundo Brandão, o ritmo da diminuição nas exportações para os Estados Unidos tem desacelerado nos últimos meses, com quedas menores registradas ao longo do primeiro semestre.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que em maio as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 3,09 bilhões, enquanto as importações do país somaram US$ 3,21 bilhões, resultando em um déficit comercial de US$ 121 milhões para o Brasil.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações totalizaram US$ 14,01 bilhões, uma redução de 16%, enquanto as importações chegaram a US$ 15,48 bilhões, queda de 12,6%, com déficit comercial acumulado de US$ 1,47 bilhão. A presença dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12% para 9,7% no período.
China ganha destaque
Enquanto as vendas para os Estados Unidos diminuem, a China ampliou sua participação como principal destino das exportações do Brasil, crescendo 9,5% em maio e alcançando US$ 10,5 bilhões. As importações da China também aumentaram, em 24,2%, para US$ 6,8 bilhões, gerando superávit comercial de US$ 3,7 bilhões no mês.
No acumulado do ano, o Brasil exportou US$ 43,26 bilhões para a China (um aumento de 21,8%) e importou US$ 30,76 bilhões (alta de 4,1%), com saldo positivo de US$ 15,5 bilhões. A participação chinesa nas exportações brasileiras cresceu de 32,1% para 32,9%.
Petróleo em evidência
Brandão também atribuiu à instabilidade no Oriente Médio o forte crescimento nas exportações de combustíveis derivados do petróleo. O conflito regional elevou os preços internacionais, beneficiando o valor das vendas brasileiras.
- Em maio, as exportações de óleos combustíveis subiram 75,2% em volume;
- O valor exportado aumentou 49,8%.
No entanto, as vendas de petróleo bruto diminuíram 9,3% em valor e 42,1% em volume, comparado a maio do ano anterior. Segundo Brandão, essa oscilação é temporária e não está ligada ao imposto de exportação implementado pelo governo, afirmando que o Brasil mantém sua competitividade no mercado internacional e continua investindo na produção, como exemplificado pela entrada em operação de uma nova plataforma em fevereiro.
Saldo comercial positivo
Nos primeiros cinco meses de 2026, o Brasil acumulou um superávit comercial de US$ 32,662 bilhões, acima dos US$ 24,33 bilhões do mesmo período anterior. Esse desempenho é resultado principalmente do aumento das exportações para a China e do bom desempenho dos produtos ligados ao setor de energia e commodities, que possuem preços internacionais elevados.


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